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Entrevista com Hiroyuki Itoh pela MTV81

A MTV 81 publicou no último dia 30/08 uma entrevista com Hiroyuki Itoh, CEO da Crypton Future Media e tido como criador e “pai” da Hatsune Miku. Segue abaixo a tradução da entrevista “O Pai da Hatsune Miku – No Futuro, Na Música e Tudo Mais”.

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“Os fãs de cultura japonesa provavelmente já devem saber o que “Hatsune Miku” é nesse momento, ou podem até estar pensando “Não! É ‘quem’ Hatsune Miku é!“.

Para comemorar o sexto aniversário da ídolo virtual (já que seu lançamento foi em 2007) – e o lançamento da “Hatsune Miku V3 English” – Nós nos encontramos com seu pai. Conheça Hiroyuki Itoh, fundador da Crypton Future Media, Inc. – os criadores da Hatsune Miku.

A MTV 81 conseguiu entrevistar uma das pessoas com maior visão de futuro no Japão no evento Japan Expo Paris desse ano, para falar sobre Hatsune Miku, o software, a cantora e a musa. E também, já que encontros com Itoh são tão raros, nós apenas tivemos que perguntar a ele sobre sua visão de futuro – da música e de tudo mais.

M: Primeiramente, parabéns pelo sexto aniversário da Hatsune Miku! E é claro pelo lançamento da “Hatsune Miku V3 English.”
I: Obrigado. Sabe, tem sido um período complicado – uma viagem ao mesmo tempo curta e longa, mas nos seis anos desde o debut da Miku, nós fomos capazes de passar por tentativas e erros, e gerenciar tudo com sucesso para criar um cenário. Eu acho que é hora de dar o próximo passo, tanto no sentido técnico como também como companhia; continuar escavando, mas em um ângulo diferente.

E é claro, nós vamos expandir e estabelecer o movimento da Miku. Para colocar em palavras maiores, continuar criando o futuro – não apenas provendo um lugar para as pessoas integrarem conteúdo, mas fazer um futuro positivo.

No japão, existe um senso real de híbrido entre a cultura tradicional e a tecnologia. Eu espero que a Miku nos ajude a fazer coisas excitantes para o Japão, e para sua indústria, o ponto de partida de tanta tecnologia. Eu acho que de agora em diante nós precisamos focar mais em olhar para frente, para criar um futuro melhor.

Clique no More para o restante da entrevista.

M: Isso soa como uma grande visão. Você tinha isso em mente quando a Crypton Future Media foi estabelecida em 1995? Ou isso veio a você com o tempo?

I: Eu tinha uma vaga visão em 1995. Agora eu estou tentando preencher as lacunas, e não deixá-las como estão. Como agora estou na posição de fazer a diferença, eu acho que seria fascinante tomar a direção para fazer um futuro para nós mesmos.

É assim que nós criamos e introduzimos Hatsune Miku para o mundo, e nós estamos tentando mantê-la crescendo. Eu acho que temos sido capazes de criar algumas perturbações no mercado, e agora temos que pensar no próximo passo.

M: Era sua intenção eliminar a voz humana da produção musical?

I: Não era minha intenção. Ultimamente Vocaloid não é capaz de substituir a voz humana, é pouco mais que um sintetizador. Eu acho que seu charme está na imperfeição – algumas vezes soando realmente como uma máquina se adiciona certa “personalidade” à voz. Não seria atrativo se pudesse imitar perfeitamente a voz humana.

M: WakamuraP, criador visual de muitos dos vídeos com a Hatsune Miku e auto-proclamado fã da ídolo, diz que Hatsune Miku é uma “ídolo ideal”. O que você acha disso?

I: Há muitos valores diferentes e maneiras de pensar, portanto se existem um milhão de usuários, então haverão um milhão de maneiras de pensar diferentes.

Eu tento não ser muito fixado a certos valores; eu acho que diversas maneiras de pensar levam a criações mais ricas e diversas. A coisa importante aqui é ser multi-facetado – é aí que a evolução começa. Hatsune Miku se tornou um hub para uma variedade de criações, como música, imagens em movimento e outros tipos de tecnologia.

M: A tecnologia de sintetização de voz teve um grande impacto no cenário de produção musical no Japão. É Vocaloid, e seu trabalho na Crypton, uma evolução na produção musical?

I: Eu acho que é. Isso começou com uma tecnologia que tinha a intenção de substituir a voz humana, mas eu acho que terá efeitos significativos, como a invenção do processador de textos, que por sua vez permitiu às pessoas instantaneamente compartilhar a mesma informação como textos impressos – mas num sentido musical (sorrisos).

Agora, com o lançamento da versão inglesa da Hatsune Miku, com importantes melhorias na interface, será uma ferramenta padrão para criadores fazerem música, com mais pessoas usando. Com isso, haverão mais tipos de música sendo criadas, com usos imprevisíveis e totalmente únicos da Miku.

Bem, eu não sei o que vai acontecer em seguida, mas eu acredito que isso é um tipo de revolução na música, e nós gostaríamos de continuar contribuindo para essa tecnologia revolucionária.

M: Então como você planeja levar a revolução a países de língua inglesa?

I: Culturas são diferentes em cada país. No Japão, “sub-cultura” está se tornando realmente popular – em muitos casos é quase algo mainstream. Assim como na música, gêneros populares são diferentes; nos Estados Unidos e na Europa, é provavelmente EDM (Electronic Dance Music), e Pós-rock depois disso.

Portanto isso pode ser o ponto chave do sucesso: quem usa Hatsune Miku, e que tipo de música eles suportam.

M: Nós ouvimos dizer que ela colaboraria em atos internacionais… Você gostaria de comentar sobre isso?

I: Hatsune Miku é percebida diferentemente em cada país. Uma vez que Miku é mal compreendida, isso pode se tornar o padrão.

Infelizmente, ela é mal compreendida frequentemente, especialmente no exterior. Eu vi algumas pessoas comentarem seu desgosto por um vídeo de um concerto da Miku em um site de compartilhamento de vídeos – mas eu tenho certeza que nós podemos conseguir empatia se ela for apresentada propriamente, que Miku é um evento simbólico, em que centenas de milhares de artistas e criadores estão participando, e também contribuindo.

Existem pessoas inconfortáveis com a ideia de um artista virtual, por isso não funciona simplesmente mostrar concertos visuais para eles. Nós temos que introduzí-la com cuidado. Essa é a nossa intenção – criar um ponto sólido de entrada para ela em cada país e sua esfera cultural, colaborando com seus artistas e fazendo conexões.

M: Existe alguma maneira em que você gostaria de ver Hatsune Miku utilizada em outros países?

I: O que nós japoneses achamos interessante na Miku e o que o que o restante do mundo acha deve ser totalmente diferente.

Eu acho que é mais importante o que eles gostariam de ver do que o que nós gostaríamos. Portanto, eu não tenho nenhuma ideia clara por agora – e eu não consigo nem imaginar o que seria aceito e suportado em diferentes culturas. É quase assustador pensar sobre isso!

M: Hatsune Miku tem sido utilizada por alguns líderes em criação experimental do Japão como Isao Tomita e Keiichiro Shibuya. O termo “musa” foi utilizado para a Miku anteriormente – é ela uma musa para você também?

I: (Sorrisos) Eu acho que ela é. Hatsune Miku é um conteúdo que possui muitas entradas e saídas, criando uma base para pessoas criarem qualquer número de produções através dela. O software tem sido atualizado com bastante frequência, mas nós não tínhamos planejado uma estratégia particular em primeiro lugar. Algo como “Oh, é isso que se tornou, então nesse caso nós temos que fazer dessa maneira”.

Quando se trata de entradas e saídas, tudo o que podemos fazer como provedores de tecnologia é melhorar a política de usuário, já que nós não estamos realmente na posição de criar conteúdo por nós mesmos. Tem sido realmente uma estimulante curva de aprendizado; nós temos nos inspirado em trabalhar para aumentar o número de saídas através do que conseguimos perceber ao longo dos anos.

M: Ansioso por mais! Então, a palavra “futuro” está até no nome de sua companhia – nós adoraríamos ouvir sobre sua visão para o futuro da Hatsune Miku, e em geral, sério!

I: Se passaram apenas vinte anos desde que muitas pessoas passaram a utilizar computadores. E agora eles estão completamente integrados a nossas vidas. Agora nós compartilhamos massiva quantidade de informação através daquilo que nós chamamos agora de “a Net” em telas de cristal líquido, e atualizamos novidades em tempo real.

E isso é só o que aconteceu nos últimos vinte anos; se você pensar sobre o período dos próximos vinte anos, e depois nos próximos cinquenta, ou cem anos no futuro, nós realmente estamos apenas no ponto inicial. Se passou apenas um momento desde a invenção do computador, e o real impacto pode ser apenas percebido depois de muitas décadas, ou talvez séculos depois de agora.

Eu imagino que a essa altura também haverá desenvolvimentos na construção do nosso corpo. Por exemplo, nós vestimos roupas agora; é uma questão de disciplina. Mas é por causa disso que os pêlos do nosso corpo diminuíram consideravelmente como resultado de evolução ou regressão em um sentido – nós não podemos mais viver sem roupas.

M: Nos conte mais! Em que momento os computadores entram em cena?

I: Computadores são uma extensão do cérebro humano. Portanto, eu acho que seria melhor desenvolver nossos instintos artísticos, ou algo relacionado a julgamentos específicos, porque essas coisas os computadores não conseguem fazer. Nós deveríamos apenas trabalhar nessas coisas e nos livrar das funções que não precisamos, e deixar o resto para os computadores.

No passado, houveram dois grandes saltos no curso da evolução humana. Primeiramente, a agricultura fez drásticas mudanças no estilo de vida humano. E depois a revolução da informação – mas nós não podemos ainda medir propriamente o impacto dela. Eu acredito que é claro que a revolução está acontecendo, e moldando nossas vidas, mesmo que leve um período de várias décadas ou séculos.

Memorização, ou cálculos como “1 + 1″ não seriam importantes, esse tipo de trabalho os computadores podem fazer melhor, portanto nós devemos melhorar aquilo que os computadores não conseguem fazer – aquilo que nos torna humanos. É isso o que distingue os cérebros humanos de artificiais. Isso é vital porque somos nós que vamos imaginar nossos estilos de vida e tecnologia, num futuro distante.

Nós estamos nesse processo agora, e Hatsune Miku poderia ser profundamente envolvida nisso, essa é minha ideia de criar um futuro. Não é apenas uma conversa de escopo restrito sobre mudanças na indústria da música – nós estamos em uma onda ainda maior de mudanças e evolução, e eu não quero perder a chance de contribuir para esse movimento.

Mas eu não sei exatamente sobre o futuro próximo, os próximos dois ou três anos – Eu acho que é uma questão de pequenos ajustes.”

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  • Zarastroika

    Interessante :3

  • Alan Morais Godinho

    Adorei a entrevista! Hiroyuki Itoh é muito inteligente, acho que já entendi o que a hatsune realmente é! Ela é um computador cantando e que cada vez mais está se tornando humana, porém ainda se mantêm como uma cantora artificial!